terça-feira, 1 de abril de 2014

Entrevista: Franklin Mário

A MÚSICA POTIGUAR EM PARCERIA

Nos últimos anos, a presença da assinatura “Franklin Mário” entre os autores de uma música tem significado que aquela composição é de qualidade. Tanto construindo letras como desenvolvendo acordes, o nosso entrevistado do mês tem se destacado como um dos mais fecundos compositores em atividade no Rio Grande do Norte. Apesar de escrever bem e de ter a capacidade de materializar melodias de impacto em seu violão, Franklin prefere estabelecer parcerias a trabalhar individualmente. E foi também em parceria que eu e os jornalistas Roberto Fontes e Costa Júnior entrevistamos Franklin, em uma noite de março, no “Chapéu de Palha Grill”, em Natal. A conversa foi tão saborosa quanto o vinho, as cervejas e o pernil de carneiro que a acompanharam. O resultado você confere logo abaixo. (robertohomem@gmail.com

FRANKLIN - Meu nome é Franklin Mário da Silva. Nasci nas Rocas, em 1970.
SUPERPAUTA – Nasceu antes ou depois de o Brasil conquistar o tricampeonato de futebol no México?

FRANKLIN – Antes. Sou do dia 12 de maio. Mas, durante muito tempo, comemorei meu aniversário no dia 13 de maio. Minha mãe dizia que eu tinha nascido no dia da libertação dos escravos. Só depois vi nos documentos que eu tinha nascido no dia 12. Talvez eu tenha nascido de madrugada e a minha mãe se confundiu por causa disto. Talvez ela tenha ligado a data do meu aniversário com a assinatura da Lei Áurea para ficar mais fácil de lembrar. (risos).
SUPERPAUTA – Como era o nome da sua mãe?
FRANKLIN – Francisca Correia. Ela sempre foi dona de casa. O nome do meu pai era Mário Francisco. Acredito que a grande influência musical que recebi foi de minha mãe. Ela costumava cantar “Praieira” e outras músicas de Natal. Também escrevia.
SUPERPAUTA – Você tem algum escrito dela guardado?
FRANKLIN – Não. Quando vi esses escritos dela, eu era muito pequeno. Não sei se ela escrevia mais como desabafo ou como treino da escrita. Ela é de uma geração que tinha poucas pessoas alfabetizadas. Então, escrever era um orgulho muito grande. Meu pai era semianalfabeto e ela era alfabetizada.
SUPERPAUTA – Seus pais também são de Natal?
FRANKLIN – Minha mãe, sim. Ela morreu em 1997. Meu pai é de Goianinha. Faleceu o ano passado. Ele foi funcionário do Ministério dos Transportes. Trabalhou durante muito tempo no porto. Minha infância foi toda por lá, no cais. Eu ia ver os navios. Meu pai era soldador. Depois que saímos das Rocas, fomos morar em São Conrado, perto do bairro de Nazaré. Foi meio traumático porque uma enchente inundou as casas. Então, moramos uns dias no Grande Hotel e depois nos mudamos para o porto mesmo. Não sei se era uma casinha ou uma espécie de armazém, mas o quintal era o cais. Talvez por isto muitas das minhas canções tenham a ver com a água, com o mar...
SUPERPAUTA – É um resgate da sua infância...
FRANKLIN – Meio que de forma subconsciente. Das Rocas tenho pouca recordação, mas, do cais, eu lembro.
SUPERPAUTA – Lá tinha outras crianças para você interagir?
FRANKLIN – Que eu lembre, não. Sou o filho mais novo. A diferença para a minha irmã, a que nasceu imediatamente antes de mim, é de oito anos. Somos cinco irmãos. Eles quatro são muito unidos. Não brincávamos muito juntos. A minha relação maior, nesse período da infância, foi com o meu pai, nas idas para o porto.
SUPERPAUTA – Do que você costumava brincar?
FRANKLIN – Estou falando de um período da infância em que eu era muito novo, até os seis anos de idade, mais ou menos. Não tenho muita recordação. Guardo apenas alguns fragmentos na memória, como os guindastes, os navios... Depois que saímos de lá fomos para a Cidade da Esperança.
SUPERPAUTA – Suas lembranças são mais vivas a partir da Cidade da Esperança...
FRANKLIN – Tive uma infância normal. A Cidade da Esperança era um bairro novo, tinha muito espaço. Morávamos em uma casa de conjunto pequena, mas o espaço em volta era imenso, cercado de morros e de terrenos para jogar bola, correr e brincar. Além do mais, foi um alívio para a família se fixar em um lugar que não tinha perigo de uma nova enchente. Lá fiz as primeiras amizades e comecei a frequentar a escola. Também tive os primeiros contatos com a escrita.
SUPERPAUTA – Sua mãe cantava em quais circunstancias? Arrumando a casa? Colocando os filhos para dormir?
FRANKLIN – Era espontaneamente. Ela tinha uma lembrança muito grande das Rocas. Quem sai das Rocas e vai morar em outros lugares, leva uma lembrança muito grande. A vida dela e a do meu pai sempre foram direcionadas para as Rocas. Quando eu ia cortar cabelo, meu pai me levava no mesmo barbeiro dele, nas Rocas. Era um passeio que ele fazia. Aproveitava e visitava os amigos. Praticamente todo final de semana ele ia. A irmã de minha mãe também morava lá nas Rocas. Então minha mãe estava sempre na casa da minha tia.
SUPERPAUTA – O que você costumava ouvir na sua casa?
FRANKLIN – Lembro muito quando meu pai comprou um daqueles rádios grandes que era um móvel. Meu irmão, adolescente, escutava muito Nelson Gonçalves e Altemar Dutra. Essa era a música romântica que os jovens ouviam na época. Um disco que tocou muito lá em casa foi o de Chico da Silva. Principalmente a música “Esquadrão do Samba”. Ela começava assim: “Meu pandeiro rebate no gol / E na defesa bate o tamborim”. Naquela época tinha uns discos que estouravam. Quem fazia muito sucesso era Benito di Paula. Essas primeiras audições – através do rádio e de ouvir meu irmão escutando – não sei se marcaram como referência. Eu ouvia muito, mas por tabela. Eu não colocava para escutar.
SUPERPAUTA – Seus pais eram festeiros?
FRANKLIN – Meu pai, sim... Minha mãe também. Eles não tocavam instrumentos, mas meu pai gostava de beber. Todo carnaval saía um bloco de assalto das Rocas para ir à nossa casa, na Cidade da Esperança. Papai enchia um tanque de cimento que tinha para armazenar água e ficava esperando esse Bloco do Sereno, das Rocas. Eles iam de caminhão, chegavam e faziam aquela festa. Depois iam embora. Os blocos de assalto de antigamente se locomoviam em cima desses caminhões. Todos com a mesma roupa, batucando em latas, em tambores... E iam para casa de um amigo, que comprava as bebidas. 
SUPERPAUTA – As músicas de Altemar Dutra, Nelson Gonçalves e as que sua mãe cantava lhe diziam alguma coisa? Despertavam alguma atenção diferente? Tinham algum significado especial?
FRANKLIN – Não de uma forma que fosse uma escolha minha. Depois de muito tempo, quando comecei a compor, foi que passei a perceber que esse período me deixou algumas marcas. Tanto que em uma música que compus falando sobre Natal – “A cidade em movimento” – há uma citação de “Praieira”. Lembrança que adquiri ouvindo a minha mãe cantar. Depois foi que descobri que “Praieira” e “Ranchinho de Palha” eram composições de autores potiguares. Meu primeiro contato com a música que eu vim a gostar de verdade foi Roberto Carlos. Tinha um programa na “Rádio Nordeste” chamado “Roberto Carlos Especial”. Eu anotava todas as canções de Roberto Carlos tocadas no programa. Fui muito fã dele. A partir de 1982 ficou mais fácil acompanhar o seu trabalho. No lançamento daquele ano, veio encartado um folder com as capas e a relação das músicas gravadas em cada disco de Roberto Carlos. Depois disso, quando minha mãe ia para o Alecrim, eu marcava o disco no folder e pedia para ela comprar. Às vezes ela voltava com o disco, às vezes não, porque nem sempre tinha. Nisso consegui completar quase toda a coleção de discos de Roberto Carlos. Foi talvez o artista por quem eu mais me apeguei, de gostar de tudo, de escutar tudo.
SUPERPAUTA – Mesmo depois que ele mudou seu estilo?
FRANKLIN – Não! Estou falando desse período específico, dessa minha primeira referência musical. Quando completei 11 anos aceitei Jesus. Dos 11 aos 14 fui evangélico, por causa de uma menina que eu gostava. Ela era da Assembleia de Deus. Fui lá e acabei ficando, mesmo depois que o amor pela menina passou. Como tinha construído um ciclo de amizades na igreja, permaneci. A igreja evangélica incentiva à pesquisa e o gosto pela música. Eles têm coral e dão oportunidade de a pessoa desenvolver. E lá você pode cantar ruim que eles vão dizer “aleluia” do mesmo jeito, vão reconhecer o seu esforço. Em outras situações, se você cantar mal, o tratamento não será o mesmo. Na Assembleia de Deus você é aceito mesmo cantando e tocando ruim. Foi nesse período que comecei a compor minhas primeiras canções.
SUPERPAUTA – Elas tinham cunho religioso?
FRANKLIN – Sim, minhas primeiras composições foram evangélicas. Não apenas por eu frequentar a igreja, mas meu ídolo Roberto Carlos tinha também essa questão de Deus muito forte na sua música.
SUPERPAUTA – Alguma dessas composições chegou a ser apresentada em culto ou algo assim?
FRANKLIN – Não. Eu não tocava nada, ainda. Pegava duas cadeiras, em casa, e com duas varetinhas tirava um sonzinho como se estivesse tocando uma bateria. Era assim que eu compunha. Mas nunca cheguei a mostrar essas primeiras canções. Nem me lembro delas, nem guardei escrito, nem nada. Algumas eram de quatro versos, outras eram versões de melodias que já existiam.
SUPERPAUTA – Roberto Carlos, apesar de ter um lado religioso na sua música, também tinha várias canções profanas. Isso não perturbava você, como evangélico?
FRANKLIN – Eu não ouvia música dessa forma. Roberto Carlos era independente da igreja, era uma questão minha. A igreja até condenava. Apesar de serem muito solidários com você quando não é um bom músico, eles tinham essa questão da aversão à música do mundo. E Roberto Carlos fazia música do mundo. Hoje está mais aberto, não tem mais isso. Na Assembleia de Deus daquela época menina não podia nem cortar o cabelo.
SUPERPAUTA – Por que você saiu? Hoje segue alguma religião?
FRANKLIN – Não sou apegado a nenhuma doutrina religiosa. Saí porque, quando completei 14 anos, minhas necessidades foram mudando. É típico dos jovens. E a igreja cobra muito que você fique ali dentro e não dê um passo fora. O jovem tem que decidir se fica e cumpre todas as regras de lá ou se sai e vai viver a sua vida.
SUPERPAUTA – Onde você estudou?
FRANKLIN – Meu jardim foi na escola “Sossego da Mamãe”, que hoje virou o tradicional “Impacto Colégio e Curso”. Eles começaram com uma escolinha lá na Cidade da Esperança. Depois fui estudar em um colégio municipal. Apesar de ter frequentado escola pública, acredito que tive uma boa educação. Estudei no “Celestino Pimentel”, que me deu uma base boa. Na época era uma boa escola. Natal não tinha esse “boom” de escolas particulares.
SUPERPAUTA – Como você foi como aluno?
FRANKLIN – Sempre fui um aluno mediano: nem bom, nem ruim. Eu ia para a escola cumprir a obrigação de estudar, para tentar aprender alguma coisa. O que influencia muito na escola, até pela questão da idade, são as amizades. O mundo do jovem funciona ali dentro. Estudei durante nove anos no “Celestino Pimentel”. Saí de lá para estudar no “Winston Churchill” porque só tinha até o ginásio. Saí na época do curso técnico. Aquilo foi uma maldade muito grande que fizeram com os alunos das escolas públicas. Quem passava pelo curso técnico saía sem bagagem para tentar um vestibular, não estudava as matérias necessárias. Depois ainda passei um ano e meio na ETFRN.
SUPERPAUTA – Em um ano e meio não é possível concluir um curso na ETFRN...
FRANKLIN - Eu tinha vontade de entrar na Escola porque todos os meus amigos do “Celestino” entraram. Não sosseguei enquanto não passei. Só que, quando entrei, eu já estava terminando o segundo grau, nem tinha mais saco. Passei para Estradas, em 1990. Depois desisti.
SUPERPAUTA – Foi na época do “Celestino Pimentel” que você começou a estreitar sua relação com a música?
FRANKLIN – Sim. Depois de Roberto Carlos caiu em minhas mãos um disco chamado “A arte de Raul Seixas”. Ele me marcou demais. Naquele álbum duplo tem tudo! Sofri uma transformação enorme. De Roberto Carlos para Raul Seixas foi um pinote. Na mesma época aprendi os primeiros acordes. Para completar, chegou para estudar na minha turma um menino vindo do Rio de Janeiro, Alexandre. Isso foi em 1986. Ele trazia muita informação musical, inclusive tinha assistido ao “Rock in Rio”. Em Natal essas novidades demoravam a chegar. O rock nacional dos anos 1980 chegou atrasado por aqui. Enquanto ouvíamos Raul Seixas, ele já tinha intimidade com a “Blitz”, “Kid Abelha” e “Paralamas”. Foi então que montamos uma banda chamada “Turistas em Cana”.
SUPERPAUTA – Como surgiu o nome?
FRANKLIN – Foi tirado de uma música que fizemos contando a história de turistas que vinham a Natal e terminavam sendo presos. Isso ocorreu ao mesmo tempo em que Leide Câmara organizava nas escolas públicas um projeto chamado “Zé Menininho”. Foi um grande projeto. Até hoje não vi nada parecido. Oficinas de música eram promovidas nas escolas. Tínhamos acesso a instrumentos e fazíamos shows com direito a cachê e tudo o mais. Foi uma mão na roda. No ano seguinte da execução do projeto, conheci Babal. Ele era uma espécie de coordenador, pela Fundação José Augusto. Também orientava as bandas. Ele foi responsável por dar uma alavancada em muita gente. Nessa mesma época começou a se fazer a festa da padroeira da Cidade da Esperança, Nossa Senhora da Esperança. Parecia uma festa do interior. Montava-se toda a estrutura do palco e a gente ia para lá tocar.
SUPERPAUTA – Alguém da banda “Turistas em Cana” enveredou na música?
FRANKLIN – A maioria dos integrantes desistiu. Mas esse período da festa da padroeira foi muito forte culturalmente. Às vezes me procuram para falar sobre ele. Tinha dez bandas de rock em um bairro que é pequeno. Foi um capítulo muito importante da história da Cidade da Esperança. Até bandas punk tocavam na festa da padroeira. Muitos passavam o ano ensaiando para essa festa, por não ter outro lugar para tocar. O incentivo cultural era grande e não se resumia à música. O próprio Avelino Pinheiro começou a expor suas telas lá. Apesar de a festa ser muito famosa, os artistas da Cidade da Esperança não conseguiam espaço para tocar fora do bairro. A rara exceção era uma banda mais ousada e politizada que as outras, chamada “Lixo Atômico”. O rock que as outras bandas faziam era geralmente muito inocente. O “Lixo Atômico” chegou a tocar no Chernobyl e em outros bares do circuito alternativo de Natal.
SUPERPAUTA – Até onde os “Turistas em Cana” chegaram?
FRANKLIN – Por ter vindo do projeto “Zé Menininho”, a banda conseguiu um espaço maior para tocar. Comigo a banda durou dois anos, tocando apenas na festa da padroeira. Mas depois que saí, parece que a banda engrenou. (risos). Talvez o ápice tenha sido a participação em um projeto chamado “Janela Aberta”, lá no Teatro Jesiel Figueiredo. O show era todo montado para o artista ou a banda tocar. A única obrigação era levar o público. Todo o cachê arrecadado era para o grupo, que recebia um boleto para vender as entradas. Lembro que todos os shows de artistas da Cidade da Esperança lotaram. Fui a outros que não reuniram tanta gente. Existe na Cidade da Esperança um bairrismo muito forte. Depois, esse mesmo projeto passou para o Teatro Alberto Maranhão, na abertura do “Projeto Seis e Meia”. Quando começamos, quase todos éramos da mesma sala de aula. Nossa bateria às vezes era um pedaço de sandália, quando não era o centro lá de casa. O baixo era um violão. Eu dizia que tocava guitarra, mas era outro violão. A gente não tinha instrumento.
SUPERPAUTA – E como vocês conseguiam se apresentar?
FRANKLIN – A gente dependia de o “Lixo Atômico” emprestar os instrumentos. O problema é que havia certa rixa entre as duas bandas. Certa vez fomos tocar em um dos Festivais do Forte, no Bosque dos Namorados. O clima estava meio pesado porque nós também fomos convidados, e eles eram os bambambãs. Mais uma vez dependíamos dos instrumentos deles, mas na hora da nossa apresentação, desabou um toró que acabou o festival. A chuva só caiu depois de eles tocarem, quando era a nossa vez de subir ao palco. Peguei uma carona em um carro estilo pick-up. Embioquei lá em cima e fiquei ali, quietinho. Os integrantes do “Lixo Atômico” também estavam lá. Nós todos em cima, indo para a Cidade da Esperança. Fiquei ouvindo o comentário irônico: “Bem feito, aqueles camaradas do ‘Turistas em Cana’ ficaram lá, se molhando”. A gente só sabe dos bastidores quando participa. Mesmo assim, foi um tempo bom.
SUPERPAUTA – Nessa época da banda você já compunha?
FRANKLIN – Sim. A banda foi montada justamente para tocar as nossas composições. Todas as bandas da Cidade da Esperança tinham trabalho autoral. Quando saí do “Turistas em Cana” montei com Esso Alencar a banda “Os Quatro”. Ele era promoter do Chernobyl. Foi lá que o conheci. Um dia ele apareceu lá em casa dizendo que tinham me indicado como alguém que fazia música. Desta conversa nasceu a banda. Ensaiamos muito, mas não fizemos nenhum show. Na verdade, ele ia entrar como vocalista em uma banda que eu tinha chamada “Transe Capitalista”. Só que, no meio do negócio, ele falou que tinha sonhado que o nome da banda era “Os Quatro”. Mas terminei foi indo para o “Lixo Atômico”. Na verdade, foi uma banda para tomar cachaça. Tocávamos pouco, mas nos apresentamos em alguns lugares como o Clube Conacan (Conselho de Moradores de Candelária), o Chernobyl e em outros bares na Ponta do Morcego. Porém, a farra era o mais importante. O que ficou de marcante foi a admiração que sinto até hoje pelo compositor do “Lixo Atômico”, o Mário. Ele foi uma das pessoas que mais me influenciaram a fazer música.
SUPERPAUTA – Ele continua no mundo da música?
FRANKLIN – Mário até gostaria de ter ido mais longe, mas as oportunidades não apareceram. Sinto muito por não ter tido coragem na época em que Nelson Rebouças desenvolveu um projeto no qual um cantor interpretava as composições de um compositor. Eu poderia ter interpretado Mário, mas não tive coragem. O ideal seria Donizete Lima fazer, já que ele é muito fã do “Lixo Atômico”. Donizete gravou um disco com várias canções de minha autoria. Neste CD existe uma parceira minha com Babal, Antonio Ronaldo, Donizete e Alexandre Hb. Donizete fez a melodia com Alexandre e pediu a cada um de nós que escrevesse um trecho da canção. Depois, juntou tudo. O nome da música é “Pra o meu amor poder passar”. Mas, a respeito do projeto de Nelson Rebouças, William Guedes interpretou as minhas composições. A primeira vez foi em um bar em Ponta Negra. Foi muito bom. A segunda foi no Teatro de Cultura Popular, na Fundação José Augusto. Nelson Rebouças deu uma entrevista dizendo que um dos momentos mais marcantes do projeto foi William Guedes interpretando Franklin Mario. Ele falou isso para a “Revista Preá”.
SUPERPAUTA – É um projeto espetacular. Merece todos os aplausos e uma maior atenção do público potiguar, que vai se surpreender quando descobrir que a música feita no nosso estado não deve nada a nenhum outro. É só conferir.
FRANKLIN – Fui para um show de Valéria Oliveira interpretando Romildo Soares que foi um primor. É muito interessante você ver um artista interpretando um compositor a quem ele respeita. É bom lembrar que, apesar de o compositor criar a música, é o intérprete quem vai dar a cara dela.
SUPERPAUTA – As músicas do “Lixo Atômico” eram só de Mário ou suas também?
FRANKLIN – Só dele, apesar de eu já compor. Quando entrei, a banda já tinha uma estrada. Minhas composições não cabiam na proposta da banda e eu não queria cantar. Lá eu tocava guitarra, mas quando não tinha um baixista, eu tocava baixo.
SUPERPAUTA – Onde você aprendeu a tocar?
FRANKLIN – Em casa. Mas fique claro: não sou músico, toco apenas o suficiente para fazer as minhas coisas. Não leio partitura, nem nada. Também não sou cantor. Só canto para me acompanhar em algumas coisas. Eu poderia cantar para mostrar uma canção, mas não como uma pessoa que vá fazer um show e você vá pagar para ir lá.
SUPERPAUTA – Que rumo a vida tomou quando você saiu do “Lixo Atômico”?
FRANKLIN - Fiquei naquele marasmo, sem saber o que fazer com as minhas canções. Foi quando me aproximei de um compositor da Cidade da Esperança chamado Júnior Baiano. Acho que ele até mudou um pouco seu estilo, por culpa minha. Trocou também o nome, e hoje se chama Mulambêra. Durante muito tempo compusemos juntos. O resultado é que ele gravou um CD, também chamado Mulambêra, em 2005, com nove canções minhas. O disco é muito bom! Está disponível para baixar no blog “Canto Potiguar”. http://cantopotiguar.blogspot.com.br/search/label/mulambera/ Ele gravou com um ótimo patrocínio que recebeu da Cosern. No mesmo período conheci um poeta chamado Oreny Júnior. Eu andava fuçando, procurando pessoas para compor comigo. Minha intenção também era aproveitar o estúdio caseiro (um computador, um teclado e microfones) que Júnior Baiano tinha, e gravar recitais de poesia. Júnior acompanhava no teclado, fazia uma sonorização, enquanto a pessoa recitava. Procurei umas amigas poetisas, mas nenhuma topou. Com Oreny foi diferente. Por conta de sua influência com a poesia concreta, seus poemas são difíceis. Não tem rima, não tem nada. Tive que achar a rima na musicalidade da canção mesmo. Ele me mandou o primeiro poema. Fiz uma música, gravei e mostrei para ele. Oreny gostou e mandou tudo o que tinha. Depois fizemos um disco ele recitando e a gente fazendo zoada. Ele falando e a gente desenvolvendo efeitos sonoros. O resultado ficou interessante. Gravamos outro eu cantando os poemas dele que tinha musicado.
SUPERPAUTA – O resultado desse disco você cantando foi bom?
FRANKLIN - Ficou legal e me deu coragem para gravar um CD de registro. Peguei minhas canções e comecei a cantar lá em Júnior Baiano. Fiquei tão impressionado que gravei três CDS, com umas 60 canções. Esse material abriu portas para eu me enxergar como compositor. Até então, era tudo meio na brincadeira. As pessoas diziam que eu compunha bem, mas eu nunca tinha acreditado. A parceria com Oreny me fez acreditar um pouco mais. Por conta das músicas que fiz para os poemas dele, outras pessoas passaram a procurá-lo para estabelecer outras parcerias. Foi quando um dia encontrei o William Guedes em uma festa. Eu sabia que ele era irmão de Geraldo Carvalho, um compositor que eu admirava. Então pedi a William que entregasse um dos meus CDs de registro ao seu irmão. Para Geraldo ouvir e ver se tinha interesse em gravar alguma das minhas composições. Só que, dois dias depois, eu estava em um bar quando William Guedes chegou tocando as músicas do meu disco. Foi demais! Ele não apenas estava interpretando as minhas canções, mas modificando algumas coisas e sugerindo outras possibilidades. Assim, começamos a compor juntos. Foi um período muito fértil esse meu contato com Dedé, que é como chamo William Guedes. Seu primeiro CD foi gravado lá em Júnior Baiano. “Preso no aquário”, de 2003, vendeu como água. E foi gravado de forma extremamente artesanal, em uma manhã. Tem também no Canto Potiguar, para baixar. http://cantopotiguar.blogspot.com.br/search/label/william%20guedes. Acho que eu estou falando mais do que o homem da cobra.
SUPERPAUTA – Tenha paciência que pelo visto você ainda tem muito pra contar. A parceria com William deu um impulso no seu trabalho?
FRANKLIN – (Risos). Ajudou a eu começar a encontrar meu estilo. Saí do rock, que me deu toda a base, e passei a escrever letra pra outros musicarem. Ao contrário do que eu tinha feito com Oreny - onde musiquei os poemas dele - com William Guedes passei a enviar as letras para ele musicar. E deu certo. Tanto que Geraldo Carvalho gravou “Preso no Aquário” em seu segundo disco. É  uma composição minha e de William Guedes. Geraldo também gravou a primeira parceria nossa: “Muito Mais”. Ela foi feita na hora, no estúdio. Ele estava em processo de gravação e fizemos a música que faltava no disco.
SUPERPAUTA – O que você e Geraldo fizeram mais?
FRANKLIN – Depois que ele gravou esse disco, foi para Brasília. Antes, eu sempre insistia para compormos outra música. Então compusemos uma canção em uma mesa de bar, chamada “Li no querer”. Uma amiga gravou, em um celular, ele cantando a música. Quando Geraldo foi embora, passei a cantar essa música aqui em Natal. No seu retorno a Natal, Geraldo ficou encantado quando me escutou cantando a nossa parceria. Tanto que incluiu em seu repertório e deve gravar no próximo CD. Nesse novo disco, Geraldo deve incluir outra música minha, que tem uma história engraçada. Mário Noya é um cantor e compositor mineiro, parceiro de Geraldo Carvalho. Eles já se apresentaram várias vezes em Brasília, no Rio Grande do Norte e também em Minas Gerais. Meu primeiro contato com Mário Noya foi em um show que ele fez na Ribeira com Geraldinho e Romildo Soares. Algum tempo depois, eu estava indo para o cinema com a minha filha quando Carla, uma amiga deles, ligou me chamando para acompanhá-la ao aeroporto para recepcionar Mário Noya. Como não pude ir, ela manteve contato depois avisando que Mário queria falar comigo. Quando o encontrei, ele estava tocando uma música cuja letra eu tinha enviado por email para Geraldo musicar. Eu nem sabia que tinha surgido alguma coisa. Mário Noya contou que quando Geraldo estava compondo aquela música, ele achou tão bonita que pediu para participar. Virou uma parceria tripla. Depois escrevi uma letra e entreguei a Mário Noya para ele colocar a melodia. Um ano depois, quando ele voltou a Natal mais uma vez, nos encontramos em um bar na Ribeira. Mário disse que tocaria essa música inédita e que, se eu aprovasse, entraria no seu próximo CD. A canção “Coração de Iceberg” está gravada no disco “Meu pop é assim”. Esse, inclusive, é um disco cheio de estrelas. Tem participações muito especiais de gente como Rildo Hora, Roberto Menescal, Léo Gandelman, Repolho, Claudio Venturine, Geraldo Carvalho e Zé Renato. Além dela, ele também gravou neste CD “Vai amanhecer”.
SUPERPAUTA – Dá para ganhar dinheiro como compositor ou o artista precisa ter outra ocupação para sobreviver?
FRANKLIN – Todos têm outra ocupação. Desconheço quem vive só de música. A não ser quando chega a um nível de Khrystal ou Valéria Oliveira, que tem alguém por trás resolvendo a situação delas. Até dá para viver. Mas sobreviver é algo muito relativo, depende do tamanho da sua necessidade. De repente, tocar num barzinho uma vez por semana e ganhar 300 reais pode ser suficiente. Então, essa questão de viver de música é relativa.
SUPERPAUTA – O potiguar valoriza o compositor da terra? Como você vê o cenário da música natalense?
FRANKLIN – Acho que Natal é uma cidade muito mais direcionada ao rock do que à questão regional. Todas as coisas ligadas ao rock funcionam. O MADA é um exemplo. Outro tipo de festival, nem tanto. A exceção foi o “MPBeco”, que funcionou. O rock potiguar é muito forte, desde a “Banda Cantocalismo”. O problema é que nossa cultura não consegue extrapolar a fronteira. Um dos motivos é que existe uma falta de identidade muito grande em Natal. Nessa cidade todo mundo faz de tudo um pouco. A música potiguar teve uma chance de acontecer na época em que o “Flor de Cactus” e Mirabô Dantas foram tentar a sorte no Rio. Mas, infelizmente não deu. Se um dos nossos – Babal, Mirabô ou Pedro Mendes, por exemplo – tivesse vencido lá fora, teria levado os outros. Talvez o “cara” tivesse sido Expedito. Diziam que ele era o grande músico de Natal, na época. Ele foi para São Paulo gravar um disco e morreu. Mas o fato é que Natal não se entende musicalmente. Com relação à música que eu faço, já escutei de várias pessoas que ela funciona mais fora do que em Natal. E deve ser verdade...
SUPERPAUTA – Por que?
FRANKLIN - Um indício de que isso pode ser verdade é a performance que obtive com a música “Imperador do Mundo” em festivais de Natal e de outras cidades fora do Rio Grande do Norte. No “MPBeco”, ela sequer foi classificada para a final. Mas essa mesma música disputou três festivais no interior de Minas Gerais: ganhou um, ficou em segundo em outro e em terceiro no último.  A canção foi ovacionada pelo público e até saiu matéria em jornal falando sobre ela. Em Natal foi ignorada.
SUPERPAUTA – Como essa canção chegou tão longe, no interior de Minas?
FRANKLIN - William Guedes, o intérprete da música no “MPBeco”, estava em Minas e me ligou dizendo que tinha um festival em Paracatu. Perguntou se eu concordava que ele inscrevesse “Imperador do Mundo”. O resultado é que a canção ficou em segundo lugar, além de vencer os prêmios de melhor letra e melhor intérprete. Também ganhou a premiação de preferida do público. A música foi defendida pelos paracatuenses Ana e Rubens. Saiu até matéria em jornal dizendo que a canção tinha sido injustiçada. Ela concorreu em mais outros dois festivais. Ganhou em Vazante e ficou em terceiro na cidade de Montes Claros. Tudo em Minas. O resultado de Natal soou meio estranho. Um compositor sabe da qualidade de sua música e das concorrentes. Tenho um senso crítico muito grande, sei quando a minha música é ruim e também quando ela tem capacidade de disputar. Nesse caso a minha avaliação não correspondeu com o posicionamento do júri.
SUPERPAUTA – Você participou outras vezes do “MPBeco”?
FRANKLIN – Sim, quatro vezes. Depois voltei a participar do “MPBeco” com “As Cores que o mundo tem pra Dar”, também com William Guedes interpretando. Outra vez foi com Donizete Lima, ele cantando “A Balada da Cidade Mágica”, que é o título do disco dele. Essa foi para a final. Por fim, Carlos Bem cantou uma parceria minha, dele e de Nagério, “O trovão e o passarinho”, que também foi para a final. Mas nunca cheguei a ganhar nenhuma premiação.
SUPERPAUTA – Além de disputar quatro edições do “MPBeco”, você participou de outros festivais?
FRANKLIN – Quando Natal completou 400 anos, o Salgueiro homenageou a cidade. Eles promoveram um concurso de samba enredo aqui. Na verdade, o samba já estava escolhido. Promoveram esse concurso como uma forma de fazer uma média com a cidade. Dois sambas ganharam em Natal o direito de “disputar” no Rio de Janeiro o concurso para escolha do samba enredo do Salgueiro naquele ano. Um era meu com dois parceiros da Cidade da Esperança. O interessante é que o Salgueiro dava apenas passagem e hospedagem para uma pessoa de cada samba ir ao Rio de Janeiro. No nosso caso, éramos três compositores. Só foi o cantor, Júnior Baiano. A prefeitura de Natal não se animou de mandar os outros dois. Poderia encaixar na grande comitiva que foi. Eu achava até que o nosso samba poderia ter chance de ganhar. Mas, quando chegou lá, o Quinho - que era o puxador de samba do Salgueiro - disse que a viagem foi só para conhecer o Rio. O samba já estava escolhido.
SUPERPAUTA – Se você fosse condenado a passar uma temporada de cinco anos em uma ilha deserta, que disco levaria para lhe fazer companhia durante o cumprimento desta pena?
FRANKLIN – É tanta coisa... A gente passa a vida inteira fazendo listinhas... Mas, se eu fosse para uma ilha deserta com apenas uma opção, mesmo que eu escolhesse um ótimo disco, com uma semana eu estaria odiando aquele intérprete, pela falta de outra coisa para escutar. O melhor disco se tornaria horrível. Comecei a criar minhas próprias composições porque senti necessidade de ouvir alguma coisa que realmente se identificasse comigo. Mas, para não dizer que estou fugindo da pergunta, o disco que acho mais fantástico das últimas décadas é “Aos Vivos”, de Chico César. Eu poderia levá-lo.
SUPERPAUTA – E se o seu direito se restringisse a levar um disco de um artista potiguar?
FRANKLIN – Eu levaria aquele do Festival da UFRN de 1982. Esse disco me deu muita bagagem, foi o meu primeiro contato com a música potiguar. Tem de tudo ali. Tem rap, tem “Príncipe Augusto”, do Gato Lúdico, tem “Garanto”, de Antonio Ronaldo... O disco também me incentivou a fazer música.
SUPERPAUTA – Tem também “Lua Cigana”, de Nelson, Léo e Cleudo...
FRANKLIN – Tem Punaú, que ganhou. Tudo esta ali. Tem “O Sétimo sonho”... Esse foi o grande disco de referência da música potiguar.
SUPERPAUTA – E sua parceria com Babal?
FRANKLIN – Tenho várias músicas com Babal, mas nunca ouvi. (risos). Parece que ele vai incluir parcerias nossas no seu próximo disco, mas para mim vai ser uma surpresa quando escutar. Quando soube, não acreditei. Só vi que era verdade quando assisti a um vídeo que está disponível na Internet. Também porque uma vez ele ligou pra mim do nada e disse que o nome do seu disco ia ser “Fora de Foco”, uma dessas parcerias.
SUPERPAUTA – Qual o grande escândalo da sua vida, que você não confessou até agora.
FRANKLIN – O escândalo só existe com pessoas que são escandalosas. Na minha vida não existe escândalo.
SUPERPAUTA – O que nós, por incompetência ou pela idade avançada, esquecemos de perguntar a você?
FRANKLIN - Acho que nada. Na verdade, vocês não perguntaram muita coisa. Eu fiquei falando esse tempo todo.
SUPERPAUTA – Qual o estilo de suas composições?
FRANKLIN - Sou uma pessoa que mudo muito, danço conforme a música. Meu estilo é todos. Com Mulambêra minhas músicas são completamente regionais. Com Donizete, é rock. Com Geraldo Carvalho as músicas são mais românticas. Minha formação é no rock, mas convivo com todo mundo...
SUPERPAUTA – Você tem planos para o seu futuro musical?
FRANKLIN – Eu sempre gravei discos apenas para registro. Acho que falta um pouco de coragem para eu fazer um disco mesmo. O problema é que não é só gravar, depois tem que fazer shows, divulgar, estar centrado no projeto. Já pensei várias vezes em fazer um trabalho musical envolvendo as artes plásticas. Da mesma forma que fiz com a poesia. Ou então escolher um compositor único e fazer algo. Mas é tudo projeto. Na verdade, não paro de construir projetos na cabeça. Às vezes acho que minhas ideias são mirabolantes, mas depois vejo que tudo pode ser concretizado. O engraçado é que sempre penso em fazer parcerias. Eu me considero uma pessoa que posso fazer as coisas sozinho, mas a minha história é com parceria. Não tem como correr: sozinho eu não funciono legal.
SUPERPAUTA – Como alguém pode se comunicar com você, caso queira manter contato?
FRANKLIN – Quem quiser conhecer o meu trabalho pode acessar o meu canal no Youtube, que é Franklin Mario. https://www.youtube.com/user/franklineu/ São músicas completamente experimentais, não é nada profissional. São gravações caseiras. Qualquer mensagem pode ser deixada lá, também.
SUPERPAUTA – Qual recado você deixaria para quem gosta da música feita no Rio Grande do Norte?
FRANKLIN – Preste atenção na música potiguar... Ela vale a pena!

6 comentários:

  1. Conheço esse cara, as vezes o amo, as vezes não.

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  2. Franklin Mário é um parceiro notável, enriquece qualquer obra, no meu caso sei que fui o primeiro a acreditar nas suas composições, ele já tinha entregado musicas a outros, mas ninguém apostou em gravar, com a lei câmara cascudo eu pude registrar 70% em meu primeiro CD, intitulado MULAMBÊRA PARA TODOS.
    quero dizer que a entrevista revela muito mais do artista que a parceria conhece, Parabéns ao SuperPauta!
    Do amigo e parceiro Júnior Baiano.

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    1. Ai, Junior Lembra de mim seu amigo de sempre daquelas parcerias nas noites e Shows do Zé Menininho, Padroeira e outros encontros musicais, tenho Saudades daquele tempo.
      Wilson Fonsêca.

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  3. Franklin Mário é o compositor que todo bom músico gostaria de poder ter como parceiro.

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  4. Lendo esta entrevista retornei aquela época, onde fiz parte daquele movimento na Banda Lixo Atômico com o quarteto original, o Mario Maykenamara (Guitarra e Vocal), wallace Loume (Baixo), Britão (Bateria) e eu Wilson Fonsêca (Guitarra e Vocal) que também compunha para a Banda junto com o Mario, conheço muito bem a Galera desse tempo como o Babal, o Junior Baiano com quem tinha uma amizade muito próxima, moro em Recife atualmente e gostaria de manter contato com essa galera.

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    1. Caro Franklin: Conheci a bandinha lixo, que de atômico não tinha nada. E você tá muito mal informado, porque as músicas eram compostas por todos que faziam e até de quem não fazia parte da bandinha. A música que fez mais sucesso foi bye bye baby, composta por Ualas (Contrabaixista), Cido oião (backing vocal) e o bebum Maykennamara que não cantava nem tocava porra nenhuma. O que ele fazia muito bem era plagiar o trabalho alheio como das das bandas: Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial, The Smith, The Cure, dentre outras. A propósito a música bye bye baby é um tremendo plágio.

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